A vida que merecemos

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Desculpas

Excesso de trabalho, afazeres domésticos, estudo, problemas pessoais, um eclipse no Afeganistão. Tudo pode ser utilizado como desculpa para não fazer algo. Após uma semana e meia alegando excesso de trabalho para a não atualização do blog, percebi que estava procurando desculpas, ilusões para não admitir uma verdade incômoda: estava com preguiça de fazer qualquer coisa que não estivesse em minha “zona de conforto”.
Preguiça é algo perfeitamente normal, torna-se um problema quando nos entregamos a ela e deixamos de fazer o que planejamos.
Percebi que estava me enganando quando observei que havia deixado de fazer algumas coisas que aumentavam minha produtividade: arrumar a cama, exercícios, escrever. Quando formulei a pergunta “por que deixei de fazer isso?” e não obtive uma resposta que justificasse a mudança de hábitos, percebi que estava entregue à preguiça.
A solução? Recomeçar! Voltarei a me impor hábitos mais produtivos e forçarei a saída da preguiça. Darei fim à procrastinação e produzirei!
Muitos passam por isso. Arrisco dizer que a maior parte das pessoas se encontra exatamente no ponto em que a preguiça dominou e agem no “piloto automático”, fazendo o que sempre fizeram e inventando desculpas para se convencer que seus dias estão muito corridos e que não há tempo para mais nada.
Faça um teste: pegue um caderno e anote as horas em que você não está fazendo nada, ou se dedicando a alguma atividade completamente desprovida de utilidade. Ao longo de uma semana você terá uma visão mais realista de sua vida e perceberá que diversas horas são “mortas”.

Vamos fazer um trato: fim às “horas mortas”!  Eu tento daqui e você tenta daí, em pouco tempo veremos os resultados.

sábado, 26 de outubro de 2013

A verdade vos libertará

       Acabei de assistir "Gravidade". Um excelente filme; na verdade é mais que isso, é uma metáfora intensa sobre renascimento e recomeço. Fui esperando uma ficção científica blockbuster e fui surpreendido ao prender a respiração por longos segundos, padecendo das agonias da personagem principal e, paradoxalmente, ficar entregue à profundas reflexões sobre a condição humana.
       Não estragarei o filme aos que não assistiram, por isso me limitarei às reflexões que ele me inspirou.
       Em diversos momentos da vida ficamos presos ao passado ou aos efeitos do mesmo sobre nossa personalidade. Não deixamos o "casulo", responsável por emoções, comportamentos e vícios, para trás. 
       Explico. Nada em nossa personalidade surge "do nada"; algum evento passado, pessoa ou situação, exerceu uma significativa influência para que nos tornássemos quem somos. Nem sempre causas boas geram consequências positivas, o contrário também é verdadeiro. Alguém que tenha cuidado bem de nós na infância pode ter gerado uma vontade inconsciente de continuar a ser bem cuidado, o que resultaria em carência e dependência, por exemplo.
       Uma pessoa que foi extremamente elogiada por sua inteligência na infância pode se tornar um adulto acomodado, pois desenvolveu um compreensível medo de falhar, visto que cresceu ouvindo elogios quanto à sua capacidade intelectual. Um indivíduo mal tratado quando criança pode se tornar um adulto com uma noção extrema de justiça e uma intensa vontade de não deixar que o mesmo ocorra com seus filhos.
       Os exemplos são infinitos. As questões são: o que fez com que você seja quem é? Você quer continuar a ser assim? O que gostaria de mudar? Como mudar?
       São questões complexas. Não existem respostas fáceis. Devemos, primeiramente, identificar o problema, isolar uma característica pessoal específica; tentar encontrar a fonte (por que somos assim?) e entender o que nos moldou.
       A palavra mágica é ENTENDER. É incrível o poder que o entendimento nos dá. Quando você entender as causas que lhe levaram a ser quem é, enxergará a verdade e, como diria "O Livro", "a verdade vos libertará".

domingo, 20 de outubro de 2013

Aponte-se



Não me recordo exatamente da frase, mas era mais ou menos assim: Ao apontar culpados, temos um dedo voltado para os outros e três para nós mesmos.
Quase sempre, quando atribuímos culpas para nossos fracassos, apontamos para outra pessoa, alguma situação que foge de nosso controle ou simplesmente a “injustiça do mundo” e esquecemos que, provavelmente, somos os maiores culpados por tudo que ocorre em nossas vidas.
É incrível que quando acontece algo bom, quando alcançamos algum tipo de sucesso, consideramo-nos os únicos responsáveis, mas quando falhamos precisamos dividir a culpa.
Não entenda mal, é claro que existem situações que fogem de nosso controle, mas isso é apenas uma pequena parte do problema. Sempre seremos os maiores responsáveis por tudo que nos acontece.
Ao dividir a responsabilidade de nossas derrotas perdemos a possibilidade de aprender, entender o que deu errado e mudar aquilo que nos fez fracassar.
Precisamos de um exercício de honestidade. Não interessa se alguém, ou algo, te prejudicou. Se você fracassou, não foi porque alguém lhe atrapalhou, foi porque você se deixou atrapalhar.
Para o bem e para o mal, somos os únicos responsáveis por nossas vidas.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

É possível estar certo, mesmo estando errado...

      "Há em todas as coisas vivas uma dose de loucura que as leva a ter atitudes estranhas, por vezes inexplicáveis. Essa loucura pode ser uma forma de proteção; é parte integrante da capacidade de adaptação. Sem ela, nenhuma espécie sobreviveria.".
       Estava lendo "As aventuras de Pi" de Yann Martel e me deparei com isso. O que me instigou foi encarar as atitudes estranhas e inexplicáveis como uma forma de "proteção". De fato, em diversas situações nos portamos de forma inexplicável, para, em seguida, nos perguntarmos "por que fiz isso?".
       Observar o comportamento dos outros e, principalmente, nosso, pode render lições valiosas. Na realidade toda ação possui uma razão de ser, nem sempre evidente. Por exemplo, tenho o péssimo hábito de prolongar discussões, mesmo que a solução tenha sido apresentada. É algo completamente irracional. Ao observar a razão de tal ato, percebi que, quando me coloco em uma situação de conflito, entro no modo "perco ou ganho", não há meio termo, preciso estar certo, mesmo estando errado. Minha atitude visa "proteger" meu ego e impedir que eu "saia por baixo".
       Em minha irracionalidade acredito que concordar, abrir mão ou admitir que estou errado seria uma "derrota". Somente hoje comecei a perceber que posso ganhar estando errado, desde que esteja disposto a admitir o erro.
       Certas atitudes "estranhas e inexplicáveis" podem, sim, servir de "proteção". A questão é: zelamos por nós, por nossa sobrevivência e bem-estar, ou por nosso ego, por nossa "zona de conforto"?
      Da feita que deixarmos isso claro a nós mesmos podemos alcançar, de fato, uma vida melhor.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Viver no Presente


Sempre sofri com a antecipação. Em raros momentos consegui ficar cem por cento focado no presente; e isso é um inferno! Por mais que você tenha algo urgente para fazer, a mente voa para a tarefa seguinte, o dia seguinte, o próximo feriado... Não adianta, vivemos para o futuro e esquecemos de aproveitar o presente.
Ouço muitos reclamarem da falta de foco (eu, inclusive). Mas o que seria isso? Talvez a incapacidade de ficar completamente presente no momento em questão. Deixar a mente voar para coisas que ainda não aconteceram ou remoer coisas passadas.
Que tal tentarmos viver o presente? Concentrarmo-nos naquilo que estamos fazendo é difícil, mas não impossível. Algo que funciona comigo é verbalizar a antecipação. Por exemplo: estou escrevendo e comecei a pensar em algumas tarefas que tenho que realizar nos próximos três dias, ao começar a divagar e perder o foco me perguntei, “qual o sentido de pensar nisso agora? Tenho três dias para completar as tarefas e pensar nelas não me ajudará em nada.”. Imediatamente voltei ao presente. Não é uma solução definitiva, mas é um começo.
Por vezes tenho a impressão de que antecipar os problemas é uma forma de nosso inconsciente nos sabotar. Gostamos da comodidade de nada fazer e nossa mente anseia por esse marasmo. A questão é: anteciparemos o futuro para sabotar o presente, ou viveremos o presente para termos um futuro?

domingo, 6 de outubro de 2013

"É impossível ser feliz sozinho..."


De uma maneira geral, concordo com Tom Jobim. Porém, para que consigamos ser felizes com outra pessoa é necessário que sejamos felizes conosco.
Precisamos nos entender, resolver nossos dilemas e paranoias para que possamos construir algo com alguém. Pense bem, você terá que conviver com você o resto de sua vida; não é uma boa ideia ficar bem com alguém que lhe acompanhará a vida inteira?
Você deve ser capaz de viver em paz consigo. E como alcançar a paz? Você precisa se entender. Descobrir o que é necessário para que a sua vida valha a pena para si e não para os outros.
Buscar a paz em algo a ser conquistado externamente gera uma felicidade temporária, efêmera. O momento em que você obtém aquilo que sempre desejou – dinheiro, família, sucesso, mulheres, homens – é maravilhoso, mas passageiro. Assim que você consegue é inundado por um prazer imenso, que acabará e deixará uma vontade de repetir a dose. Ao reproduzir a experiência o resultado é ótimo, mas não tão intenso quanto o anterior. Por que isso acontece? A primeira conquista foi realizada por alguém que não possuía tal experiência, era novidade. Da segunda em diante o prazer obtido só decairá.
Precisamos preencher de significado aquilo que – assustadoramente – talvez não possua significado algum; a vida.
Faça algo que lhe engrandeça, desenvolva virtudes e busque ser melhor. Não importa o que seja, procure ser aquela pessoa que ao olhar seu reflexo no espelho sente orgulho do que vê.
Ao nos tornarmos seres individualmente e particularmente felizes, estaremos, finalmente, preparados para seguir o conselho do maestro...

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Felicidade


Todos queremos alcançar a felicidade. Fazemos de tudo para atingir algo que sequer temos certeza do que seja. Dinheiro, saúde, amor, sucesso? Não importa. Sempre localizamos a felicidade como algo que pode ser alcançado “fora de nós”.
“Serei feliz caso seja rico”. Confundimos meios com fins. Dinheiro, por exemplo, visto como um fim em si mesmo não traz felicidade de forma alguma. Não me entendam mal, dinheiro é importante – e muito! – mas não é a felicidade, é um meio que pode, ou não, proporcionar momentos felizes.
Esperamos ser felizes quando alcançarmos algo e esquecemos de ser felizes agora, no presente. Focamos tanta energia em planejar nossa felicidade que não aproveitamos os momentos que surgem constantemente em nossa vida.
Felicidade é um estado. É impossível sermos sempre felizes; mas ao desejarmos este estado utópico, acabamos por criar expectativas irreais que nos frustrarão ao não se concretizarem.
Aproveite os momentos.
Imagine: Seu plano de felicidade é conquistar uma grande fortuna. Suponha que você consiga. Você estará feliz? Claro que sim! Nada de trabalhos extenuantes, sem chefes chatos, sem hora para acordar, viagens e tudo que você quiser comprar. E agora? Você tem tudo que sempre quis, viajou para todos os lugares que desejou e vive sem preocupações materiais. Pense, por quanto tempo isso lhe proporcionará felicidade? Será que somos assim tão pequenos que o ato de gastar é suficiente para nos completar enquanto seres humanos?
Precisamos atribuir significado à nossa vida. Não qualquer significado, mas algo que nos faça acreditar que somos melhores.
Estabeleça que tipo de ser humano você gostaria de ser. Quais as características? Como você gostaria que as outras pessoas lhe vissem? Assim que conseguir isso, corra atrás e torne-se a pessoa que você idealizou. Desta forma você será feliz; não por aquilo que você acumulou e sim pelo indivíduo que você se tornou.