A vida que merecemos

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Quem é você?

Quem é você? Não é uma pergunta fácil de se responder. Aprendemos, com o tempo, a compor uma persona que pouco tem relação conosco. Criamos um personagem, alguém adequado ao meio em que vivemos. É uma excelente estratégia de sobrevivência, mas o quanto este personagem tem de você? Ou, ainda mais importante, quem realmente vive a vida, você ou o personagem? 

Até que ponto você deixa de ser você para atender às demandas deste ser ficcional?  Adotamos um certo estilo, ouvimos certos tipos de música e escolhemos nossa profissão por livre e espontânea vontade, ou somos apenas um reflexo que visa corresponder ao que o meio espera de nós?

Peguei-me pensando nisso. Até que ponto eu sou eu? Consegui isolar diversos traços de personalidade que, arrisco dizer, pertencem ao ser ficcional criado por mim. Quanto mais pensava, mais confusa ficava a distinção entre "criador e criatura".

"Ser você mesmo" é complicado. Vivemos presos dentro de nós mesmos, com medo de assumir ideias, gostos e comportamentos que causariam insatisfação nos meios em que vivemos (família, trabalho, colégio, amigos...). Mesmo certas posturas tidas como demonstrações de genuína personalidade, na maioria dos casos, visam satisfazer a expectativa que o meio tem de nós. Na maior parte  do tempo nossa personalidade é reativa e não proativa.

Essa máscara que criamos esconde muitas coisas, boas e ruins. Não digo que tenhamos que abrir mão do disfarce, mas acredito que ele deve compor uma parte menor de nós. Muito de nossa infelicidade talvez esteja relacionada à prisão que criamos para o nosso "eu". Permita-se ser um pouco mais você. Deixe que o prisioneiro receba um pouco da luz do sol e viva! 


quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Desculpem o desabafo...

            A postagem de hoje será um pouco diferente. Será mais pessoal e, espero, terapêutica. Uma vez, um sábio compositor disse "a tristeza é senhora...". Somente agora, aos trinta e oito anos, compreendo a expressão fora do campo teórico. 
              Existe uma tristeza que toma conta de você. Uma vontade constante de chorar, por mais que você acredite que seja fraqueza, a vontade é mais forte e você, sozinho, quando ninguém está olhando, chora.
              Infinitas circunstâncias podem gerar tal sentimento. Rejeição, fracasso, amores, insegurança, saudade, mudanças drásticas... 
          Considero-me um afortunado. Tive - e tenho - uma ótima família, uma excelente educação, reconhecimento profissional, amei e fui amado. Este ano tomei algumas decisões que mudaram drasticamente minha vida. Pedi demissão de um dos colégios em que trabalhava. Eu amava trabalhar lá... Ao longo de quase dez anos me identifiquei com cada aluno. Sempre vi um pouco de mim em cada um e isso fez com que eu gostasse ainda mais deles.
           Infelizmente, motivos alheios à minha vontade, principalmente de cunho burocrático, forçaram uma tomada de decisão. Saí e montei um curso. E isso, talvez, explique parte desta tristeza. Há um componente imenso de saudade, mas não é só isso. Pela primeira vez na vida estou receoso. Pensamentos do tipo "e se não der certo?" tomam conta de minha mente. Não estou acostumado a sentir insegurança, de certa forma, é novidade para mim.
          Mas, ao refletir sobre tudo isso, percebi que a causa da tristeza ia além. Sempre me orgulhei de ser extremamente independente, em todos os aspectos, principalmente no emocional. Mas não ter alguém com quem dividir suas inseguranças, tristezas, derrotas, alegrias e vitórias faz com que algo sangre dentro de você. 
             Acho que a ideia é bem simples. Não nos bastamos. Em algum momento precisaremos de alguém para nos emprestar o ombro, ouvir sem julgar, rir, chorar ou, simplesmente, ficar junto sem falar nada em um doce silêncio não constrangedor. Tais pessoas são raras, alguns morrem sem achar alguém assim. Aos afortunados que acharam: cuidem! cultivem! mantenham! A vida é difícil demais para que tenhamos que carregar o fardo sozinhos...
       
P.S. Não fiz revisão, achei honesto publicar da forma que escrevi, de um fôlego só, sem pensar demais. Portanto, perdoem eventuais erros.